quinta-feira, janeiro 15, 2015

Houston, we have a problem

Há tempos o ar não ficava denso pra mim.
Há tempos não tinha um problema sem solução.
Acho que não sei mais como fazer, desaprendi.
Tem algo estranho por aqui.


terça-feira, agosto 19, 2014

Terapeutizando

Nessas minhas andanças pela internet descobri alguns blogs de garotas que desabafam sobre a vida, despretensiosamente, como eu faço por aqui.
Um delas é bem famosa, já escreveu livros, tem blog de humor super ultra acessado, mas vive reclamando que a vida é uma droga, que não fez nada ao longo dos seus sei lá, 30 e alguns anos, que está fadada ao fracasso, que todo mundo a odeia, que ela odeia todo mundo, que a família é uma merda, que o trabalho dá nojo, que os amigos não são tão amigos assim, que o corpo dela é horrível, que a cara também é horrível, que as cidades em que viveu são mal planejadas, que tá frio demais, que tá quente demais, que todo mundo a chama de grossa, que não tem paciência pras pessoas e mais uma infinidade de coisas que, só de pensar em listar, me dá dor de cabeça.
A outra não é nada famosa. Uma desconhecida aleatória, mas cercada de amigos e boas pessoas. A vida dela parece um martírio. Tem uma família ok, uma rotina ok, amigos ok, mora numa cidade ok, têm relacionamentos ok e que ser ok é péssimo. Não sabe lidar com fato de ter mais de trinta anos e não conseguir controlar alguns sentimentos e fica triste quando a chamam de rabugenta, mesmo sabendo que é rabugenta por pura opção, e não por falta de.
Essas duas garotas me lembraram uma terceira pessoa que convivi durante anos da minha vida e que era uma mistura de ambas. Pra resumir a vida dela: nada nunca tá bom, as pessoas são desprezíveis e os homens deveriam morrer porque nenhum quer ficar com ela, mesmo ela sendo uma pessoa linda, incrível, inteligente, que já morou em vários lugares do mundo, fala vários idiomas e é super bem sucedida e independente. O mundo é injusto, só ela tá certa e todos devem morrer por não reconhecer o quão incrível ela é.
Parece que as três estão aprisionadas em um poço de amargura, sendo intoxicadas diariamente por aquela água podre. Esse ângulo sob o qual elas observam a vida me dá claustrofobia e uma vontade imensa de chorar. Juro, eu sinto quase uma dor física por elas. E não porque sou uma mulher sensível e porque me toco pelas dores alheias, mas porque todas já passaram dos 30 anos e estão jogando a melhor fase da vida no lixo, preocupando-se apenas em reclamar de tudo o que as cerca, inclusive delas mesmas, ao invés de, sei lá, tentar baixar um pouco essa vibe negativa, tentar não levar tão a sério as coisas idiotas que acontecem na vida. 
Eu sei que é esquisitíssimo eu vir aqui pra falar de pessoas que eu não conheço, que eu não convivo, e que nem sonham com a minha existência, como se eu fosse uma terapeuta com muita propriedade de julgamento. Me sinto, na real, uma grande escrota em vir aqui e apontar o dedo na cara delas (ou melhor, nas costas delas, já que elas nem sonham que eu tô escrevendo isso aqui justamente porque não me conhecem) acusando-as de estar vivendo uma vida de merda e que tá tudo errado e que elas precisam mudar e fazer diferente porque tá errado e fim.
Quem sou eu na noite pra dizer se elas tão certas ou erradas, né?
Mas olha, me dá um desespero tão grande, uma claustrofobia tão absurda quando leio o que elas escrevem que tenho vontade de esbofeteá-las na cara e dizer: pelo amor de Odin, mulher: PÁRA DE RECLAMAR DE TUDO.
Não é possível que NADA na vida delas tenha sentido. Que nada nem ninguém as agrade. 
Que tristeza ver e viver a vida sob essa lente totalmente distorcida.
Tem tanta coisa acontecendo no mundo, sabe? Tem tanta coisa boa por aí, tem tanta coisa boa dentro delas, e elas nem fazem ideia.
Que tristeza vê-las perdendo um tempo tão precioso da vida reclamando de tudo, sem mover uma palha pra fazer diferente. Contentando-se apenas em desdenhar de tudo e todos.
Mais uma vez, quem sou eu pra julgar o que elas têm feio da vida? A vida é delas e elas fazem o que quiserem. Mas sei lá, eu queria que elas pudessem ver o mundo do jeito que eu o vejo: cheio de defeitos adoráveis e pronto pra ser explorado e amado e sentido e vivido...
Queria mesmo, de verdade, emprestar meus olhos pra elas por um dia, pra que elas pudessem ver o que tem aqui fora do poço. Quem sabe isso as despertaria pra uma mudança.
Mas né? Quem é que precisa mudar pra agradar os outros?
Ah se elas soubessem que isso as agradaria muito mais do que aos outros...ah se elas soubessem o que realmente é se agradar...

quinta-feira, junho 12, 2014

Poster girl

Triste saber que eu nunca vou ser igual a elas.
Também não sei se quero ser igual.
Sempre me orgulhei de ser quem eu sou, mas tem dias que a vida da aquela puxadinha leve no nosso tapete, só pra testar se a gente tá de olho aberto mesmo.
Fazia um tempo que não me sentia tão mal comigo mesma.
Essa coisa de auto-estima é uma grande merda.
Só queria deletar essa semana da minha existência e apagar qualquer memória desses dias de merda.
Tem épocas em que a ignorância é, de fato, uma bênção.

quinta-feira, junho 05, 2014

Aniversário

Vou replicar aqui o que postei hoje pela manhã em minha página do facebook.
Pra guardar pra vida, pra arquivar com meus pensamentos e com minhas emoções.
Pra comemorar e exaltar todas as mudanças (pra melhor) que eu passei.


"Há quatro anos eu jamais imaginaria estar onde estou hoje. Quando peguei aquele avião rumo a São Paulo eu tinha outros planos, outras ideias. 
Hoje eu vejo quão pequenos eram meus pensamento e quão falidos eram esses planos - só eu não via mesmo.
A única coisa que eu sabia é que valeria a pena. E valeu! Continua valendo e serei grata a esse período maluco da minha vida eternamente. 
São Paulo me tornou uma pessoa melhor em todos os sentidos. Me ensinou a ser uma boa profissional, a estar disponível pros amigos (mesmo sendo difícil conciliar as agendas), me ensinou a abrir as portas da minha casa e ser uma boa anfitriã e, sobre tudo, me mostrou que estar no lugar certo, na hora certa, é o suficiente pra mudar sua vida completamente, mesmo que essa mudança aconteça um ano depois de um encontro casual.
São Paulo me deu diversos presentes: me deu novos amigos, me aproximou fisicamente de grandes e antigos amigos, me afastou emocionalmente de outros, me deu uma conexão quase que instantânea com os amigos que deixei em Curitiba e, quando eu finalmente estava pronta, São Paulo foi o cenário que a vida escolheu pra me apresentar pro meu futuro marido.
São Paulo é sim a terra da oportunidade, se você souber o que fazer com as oportunidades que ela te dá. Eu agarrei minha oportunidade de ser independente, de ter a minha própria casa, de cuidar de mim, de conhecer pessoas, de trabalhar muito. Foram os quatro anos mais loucos e incríveis da minha vida!
Obrigada por me receber por aqui, Sampa!"

segunda-feira, maio 12, 2014

Há lágrima na madrugada.
A lágrima da madrugada.

sexta-feira, abril 11, 2014

Paradoxo

Lágrimas entaladas.
Logo eu, que sempre as deixo tão livres, sofrendo dessa síndrome.
Sinto-me quase que uma prisioneira de mim mesma, fazendo questão de não deixar fluir o que me parece ser - e é - tão natural.
Que falta faz um abraço,  um afago e um simples "hey, vai ficar tudo bem".
:'(

quinta-feira, março 06, 2014

Top Model

Nunca tive medo de assumir o que eu sou. Nunca mesmo. Vergonha, pode até ser, mas medo não.
O fato é que sempre vivi num efeito sanfona, ora pesando 50kg, ora 70kg, infinitamente.
Isso também nunca me preocupou. Sempre fui a mesma pessoa, independente dos quilos sobre os pés e uma das coisas de que mais me orgulhava era bater no peito e dizer: "nunca estive sozinha, gorda ou magra. Não é o peso que define uma mulher", o que continuo achando uma grande verdade (visto que hoje peso muito mais de 70kg e vou me casar, veja você!).
A questão é que hoje fui a uma nutricionista e me vi incrivelmente disposta a entrar numa baita reeducação alimentar para eliminar todos esses quilos que se apoderaram de mim depois dessa minha estada em São Paulo. Me surpreendi com minha capacidade de abrir mão da rotina desregrada para buscar uma melhor qualidade de vida, logo eu, que sempre gostei de bater no peito e dizer que me aceitava desse jeito.
Descobri que, na verdade, eu nunca me aceitei. E é bem, bem triste olhar pra trás e pensar que eu poderia ter feito muito mais por mim antes. E não é a questão estética da coisa, é a saúde mesmo.
Minha cabeça está semi-confusa porque adotar um novo estilo de vida é extremamente saudável e necessário mas, ao mesmo tempo, é como se eu dissesse pra mim mesma que não estou me aceitando: "e aquele papo de que não são os quilos que definem uma mulher?". 
Pois é, acho que entrei em contradição.
Será que isso tem a ver com a proximidade dos 30 anos?
Todo mundo diz que a gente muda tanto perto dessa época...
Realmente não sei. Hoje estou me questionando de tudo. Pode ser a chuva. Fico assim quando chove.
Mas bom, isso tudo foi só pra dizer que na semana que vem recebo minha dieta personalizada e que estou super na vibe de mudar minha vida e de ser saudável.
A seguir cenas...