segunda-feira, dezembro 12, 2011

Pôr do sol e lavanda

Depois de alguns dias pensando ainda não consegui concluir qual é minha função nesse mundo. Não que eu esteja verdadeiramente preocupada com isso, até porque acho que só vou descobrir, se descobrir, quando estiver em meu leito de morte com meus netos e seus cachorros em volta da minha cama contando alguma piadinha boba pra eu dar risada.

O fato é que hoje, mais do que ontem, por exemplo, consigo detectar alguns papéis que desempenhei ao longo desses meus 27 anos e que não tinha percebido. Alguns deles, confesso, não me orgulho em nada de ter que carregar no meu ‘curriculo de papéis desempenhados’, mas não há outra opção, e o que não tem opção, selecionado está.

O que percebi hoje, mais do que ontem, é que tenho carregado um estigma de “rito de passagem” na vida das pessoas que sempre, invariavelmente, vem carregado de dor. É tanta lamúria atrelada à minha existência que às vezes dói pensar que as lembranças que têm o meu rosto carregam também aquela dor aguda lá no fundo do coração, que por alguns segundos tira o chão debaixo dos pés e dificulta a respiração.

Não sei até que ponto alguém pode achar bom ter esse tipo de lembrança dentro da mente – eu também tenho as minhas trágicas lembranças – mas o fato é que sou isso aí pra um número x de pessoas e sinceramente, não me agrada em nada.

Soa até meio pretensioso de minha parte dizer isso, mas já parti alguns corações. Já destruí sonhos, planos, já pulei fora, desisti, saí correndo no meio da rua, não liguei no dia seguinte e nem nunca mais. Em todas as vezes eu me senti forte e correta o suficiente, e confesso, não me arrependo e faria tudo outra vez. Não pela maldade da ação, porque não há prazer nenhum em fazer alguém sofrer, mas pela certeza de estar tomando a decisão mais adequada pra mim naquele momento; ou seja, eu já fui muito egoísta.

Mas daí eu reclamo, choramingo e praguejo contra aqueles que fizeram o mesmo comigo. Me questiono sobre o porquê de aquele menino que eu tanto amei logo depois que saí da faculdade ter me abandonado pelo telefone, daquela forma que eu julgava tão cruel. Ou o outro, que fez de um tudo e que disse que queria ir comigo pra Babylon do Zeca Baleiro e do nada sumiu, aparecendo hoje com uma família linda, cheia de filhos. E o primeiro de todos? Que simplesmente me trocou por uma menina mais velha - e mais magra, tenho que admitir? Eu achei aquilo o cúmulo da falta de hombridade. Sem contar aquele que morava longe, e que no dia de natal me disse que na verdade amava a ex-namorada e que estava comigo só pra testar o que sentia por ela. E ainda tem outros, que eu prefiro não comentar e não relembrar por enquanto, porque ainda dói.

Não que eu não tenha superado todos esses desamores. Ao contrário, mas me questiono sim, a razão de tudo isso. O que será que eu tinha de tão ruim? Por que não continuar comigo? Soa como uma não superação né? É, eu sei, mas acredite, não é nada disso. É uma questão de auto-aceitação.

E depois eu penso que eu também já troquei um namorado por outro - ele não era mais magro nem nada, era mais velho, apenas isso. Já desfiz um noivado há poucos meses do casamento, com as coisas quase 100% acertadas. Já perdi o interesse por outro, pelo simples fato de que ele não tinha nada pra conversar comigo. Não tinha a menor graça. Troquei um outro pelo trabalho e pelo sonho de ter uma família que, na época, ele com 20 anos e eu com 24, não teria a menor condição de acontecer. Já desisti de um garoto que tinha tudo pra ter dado certo, pela pura preguiça e insegurança de peitar os outros que eram contra, ou seja lá o que tivesse sido aquilo na época.

E hoje, engraçado, todos eles estão muito melhores do que eu. Veja que ironia. Meu ex-noivo está casado e feliz da vida; o outro, de loge, continua com aquela namorada em questão, o mais novo tá por aí, sambando na cara da sociedade com todo o sucesso que ele tem no trabalho. Muito, muito irônico eu tê-lo trocado pelo trabalho e hoje ele estar aí, famoso.

E eles só estão assim hoje, porque em algum momento da vida eu estufei o peito e coloquei pra fora minhas razões, virando as costas e deixando toda a história ali, na mão deles, dizendo que eles poderiam fazer o que bem entendessem daquilo tudo porque aquilo pouco me importava mais. O fato é que sei que esse virar as costas trouxe junto a minha cara eternizada em dor e sufocamento. Na minha experiência mais recente a dor e o sufocamento são mútuos, mas ainda existe, de uma forma ou de outra, a lembrança da minha cara e automaticamente, aquela pontada aguda no coração.

O pior dessa constatação toda é o meu egoísmo falando mais alto, porque eu queria ser uma lembrança agradável, branda, com aquele cheiro de lavanda e com cor de pôr-do-sol, sabe? É pretensão da minha parte querer ser lembrada pelas coisas boas, até porque, é muito mais fácil gravar a dor à excitação e falo isso pela minha própria experiência. Mas eu realmente queria ser aquela face que é lembrada com ternura e carinho. Eu não devo ter feito nada por merecer isso, óbvio, assim como as faces que carrego comigo também não o fizeram, mas eu sou egoísta e um pouco prepotente eu acho. É feio, eu sei, mas pelo menos eu admito.

E todos esses questionamentos e exposições, apenas para perguntar: e agora, como lidar com as lembranças? As minhas, as deles?

quinta-feira, dezembro 08, 2011

O gato, o rato e o amor

Ando quebrando a cabeça a respeito da origem da vida, do universo e tudo mais e infelizmente o 42 ainda não me soa uma resposta aceitável.
Na verdade os caminhos que me levariam ao 42 é que estão meio bagunçados, acho que foi isso o que tentei dizer.
Quase não dá pra perceber o quanto eu ando confusa né? E ultimamente algumas pessoas têm me perguntado muito sobre o que vem acontecendo, já que minha cara não me ajuda a tentar disfarçar esse emaranhado de coisas daqui de dentro da cabeça.

E não é só minha cara que tem refletido essa algazarra: se alguém entrar hoje na minha casa definitivamente terá uma sincope nervosa. Minha mãe se descabelaria e bradaria ao sete ventos que não criou uma filha pra viver numa casa tão bagunçada.

Mas confesso que o que me fez perceber que a coisa não anda muito bem aqui dentro da cabeça, por mais ridículo que pareça, foi uma propaganda de supermercado.
Fui ao cinema hoje e chorei assistindo a propaganda do menino que mora no exterior e não poderia vir ao Brasil para passar o natal com a família. Os amigos gringos fizeram uma vaquinha e lhe compraram as passagens, e ele voou para os braços de mamãe. Foi lindo, comovente e constrangedor, uma vez que as luzes da sala ainda estavam acesas e várias pessoas estavam sentadas próximas a mim. Eu estava sozinha, poderia fingir que não conhecia ninguém. É, na verdade eu não conhecia mesmo, não precisei fingir.

Mas enfim, fui ao cinema disposta a assistir "La Piel que Habito" e para minha surpresa o filme já havia saído de cartaz. Fiquei bem desapontada; queria chegar no trabalho no dia seguinte e comentar com uma amiga sobre o roteiro, a fotografia e atuação do Banderas.

Fiquei em dúvida entre os Muppets e O Palhaço, e optei pelo segundo. "Vamos prestigiar o cinema nacional, que anda precisando", pensei. Quando o filme começou me toquei que, muito provavelmente, o que me levou a escolher esse filme não foi o prestigio pelo cinema nacional e sim alguns fatos recentes e desconexos que andaram confundindo um pouco mais minha cabeça.

E que escolha feliz foi essa minha. Nunca agradeci tanto minha confusão mental quanto hoje. Não só pelo lindo trabalho do Selton Mello como ator/diretor/roteirista, nem pelo Paulo José, que amo de paixão, nem pela fotografia linda, terna e nostálgica. Mas por uma frase solta, ali no meio da história, que fez com que tudo terminasse bem e todos fossem felizes para sempre.

"O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço"

Coisa linda de deus! Banal, pode dizer, mas lindo, profundo, apocalíptico eu diria.

Sai do filme pensando nisso. Na relação do gato, do rato, dos seus "destinos", do que são programados a fazer, condicionados a fazer, adestrados a fazer, estereotipados a fazer e do que realmente gostam de fazer.
Demorei um tempo até entender como seria a minha frase.

Eu poderia substituir "palhaço" por "produtora", "jornalista", "fotógrafa", "professora", mas nenhuma dessas palavras deixaria a frase 100% aplicável a mim.

E depois de repensar a vida, como nessas coisas de filme mesmo, conclui eu deveria substituir "e eu sou palhaço por "e eu amo".

Piegas, brega, coloque o adjetivo que quiser. Mas essa é minha relação com o destino, com o que está programado, com o que estou condicionada, adestrada, estereotipada a fazer. É o que me descreve, o que me molda; é o que me trouxe até aqui.
Se hoje estou na minha casa, numa cidade alucinada, longe da minha família, dos meus amigos, foi porque amei. Amei um sonho, amei uma mentira, amei um desejo de liberdade e de independência. E continuo amando; minha liberdade, minhas oportunidades, o que está por vir.

Fiquei menos confusa quando descobri minha frase. Acho que isso diz muito sobre os caminhos que vou trilhar até chegar ao meu 42.

"O gato bebe leite, o rato come queijo e eu amo".

quinta-feira, novembro 03, 2011

Saara

O telefone toca sem parar.
Coço os olhos, pisco algumas vezes e tento ignorar, mas não consigo.
Um amigo de longa data escreve, inconsolável, sobre o último pé na bunda que tomou.
Reclama de ter passado dos 30 anos, agindo como se fosse um adolescente: "logo eu? indo atrás de uma paixãozinha?"
Ele não deveria reclamar disso; não deveria mesmo.
Antes sofrer como adolescente e sentir alguma coisa, do que tornar-se árida como me tornei.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Bala Soft


Estou naquele momento crítico das palavras entaladas.
Como um gato que se prepara para cuspir uma bola de pêlos.
É tão aflitivo não conseguir dizer o que gostaria que às vezes me sinto engasgada com uma bala soft. Sem saber se faço força pra engolir ou se me debato até por pra fora aquela coisa que está ali parada.

terça-feira, setembro 13, 2011

The Best of Me

A satisfação de descobrir debaixo dos entulhos todas aquelas coisas boas que existiam em mim é indescritível.
Depois de todo esse tempo eu finalmente me sinto leve: eu fiz SIM coisas boas na minha vida. Eu tenho SIM do que me orgulhar até hoje.
E sou SIM uma boa pessoa. Não perfeita, mas suficientemente boa pra mim. Eu aprendi a viver sozinha, a depender apenas de mim e confesso: chegar em casa, na minha casa, e estar sozinha é não só desafiador, mas prazerosamente aconchegante.

Tenho o peito aberto, escancarado, para as novas descobertas dessa minha vida que estava enterrada, e cada vez que me aprofundo nesse buraco, mais coisa boa eu acho. Tantos planos não aproveitados que podem voltar a ativa, tanto afeto, tanto amor próprio ali soterrado. Há um mundo todo meu para descobrir ali dentro.

O sofrimento todo valeu a pena. Tem valido e continuará valendo. A recompensa de anos de batalha é o alívio.

terça-feira, julho 19, 2011

Inércia

A fome que não vem.
O sono que ainda está.
A vida que não vai.
A paz que já se foi.

terça-feira, julho 12, 2011

Wishlist

- Respirar em paz, sem ter essa dor que me aperta o peito
- Andar de cabeça erguida na rua
- Não sentir vergonha de mim ou dos meus atos
- Ter uma noite de sono tranquila
- Dar fim aos pesadelos
- Não acordar chorando no meio da noite
- Liberdade
- Amor próprio
- Auto-conhecimento
- Aceitação


Ter uma wishlist de coisas não palpáveis é deprimente.

quinta-feira, julho 07, 2011

O Coração não Sente

Fato.
O que os olhos não vêem o coração não sente.
Nunca imaginei que isso fosse ser tão verdadeiro pra mim quanto nos últimos dias.
Eu sei do passado. Sei de muita coisa que aconteceu. Sei dos anos que foram passados, sei de algumas histórias, experiências; mas ver, é outra coisa.
Ter ali, quase que esfregado na cara os bons momentos de felicidade em casal é quase uma ofensa.
Compartilhar tudo isso então, para todos os amigos em comum verem, é como admitir que essa memória nunca será esquecida, que é o que se leva da vida.
Eu não participo de nada.
Não há minha cara em anda daquilo tudo. Eu sequer sou citata...eu sequer apareço.
E as memórias que ficam são aquelas do passado.
Daquele momento bom que eles viveram sem que eu existisse.
Enquanto eu fico aqui sofrendo por algo que não existe mais, e todo mundo vê o passado como sendo o que se é.
Invisível...é assim que meu coração está se sentindo.
Invisível e despedaçado...

domingo, maio 29, 2011




A gente fala de solidão sem realmente saber o que é.
O peito dói e a gente diz que é saudade, que é amor, que é fraqueza.
Mas a dor da solidão é tão diferente que no momento em que se sente, a certeza é clara como água de nascente.
A solidão dói nas entranhas. Nas juntas de todo o corpo, na nuca, na barriga, nas costas, cabeça e coração.
Dói nas mãos, que ficam vazias, nos pés que não sabem pra onde ir, nos ombros que não têm mais o peso dos braços debruçados.
Dói nos olhos, que vêem em volta uma multidão de rostos desconhecidos, que procura algum tipo de alento e que só vê o vazio.
A solidão dói na consciência, de que é preciso ser uma pessoa melhor para que se tenha companhia. Para que seus amigos lembrem de você e façam questão de te ter por perto, mesmo que seja para não fazer nada.

A solidão dói na alma. E essa dor não da pra explicar. Parece um buraco negro que te suga as forças, parece pesadelo sem fim. E é bem nessa hora que a dor entra no ciclo mais cruel de todos: a hora em que se precisa de um abraço sincero, de um afago, de um carinho, e não se tem ninguém. Não falo aqui de amores exclusivamente, falo de amigos, de família. É um ciclo muito, muito cruel, porque é na tristeza que se sabe realmente quando se está sozinho. É olhar para o lado e ver quantas pessoas lembraram de você hoje, quantas pessoas fizeram questão de ter sua companhia, quantas pessoas quiseram estar ao seu lado pelo simples prazer de estar.

É a hora que se sabe entender a dor da solidão: é estar sozinho de verdade, na escuridão do coração.

domingo, maio 22, 2011

Pra terminar ele diz:

"Você só me decepcionou, desde o começo. Ela não, ela mereceu que eu escrevesse aquelas palavras lindas. Com ela foi tudo diferente. Você acha que você merecia? Se você tem inveja dela, o problema é seu."

Depois de fechar a porta começou a juntar os caquinhos do coração.
E está lá, juntando-os até agora.

terça-feira, maio 17, 2011

Indiferença

De tudo o que dói, a indiferença é a que dói mais.
Mais que chute na canela, cortar a mão com papel, prender o dedo na porta.
Eu esperava alguma reação, um xingamento que fosse, uma frase sofrida dizendo que estava decepcionado, que não tinha mais jeito, mas ao contrário; toda vez que vou lá encontro o vazio estático do mês retrasado.

O curioso é que há algum tempo, o que se via eram relatos que expunham minhas feridas e imperfeições, como se fosse prazeroso ver a deficiência alheia vir a público. E agora nada.

Antigamente, exitia a tentativa de retomar com outrém uma vida harmonica e cheia de paixão, e por essa razão, escrevia-se coisas lindas sobre como ela era perfeita, sobre como a vida com ela era boa e tinha tudo para dar certo. "Foi minha última tentativa", dizia.

Eu não ganhei nada disso. Ao contrário: de coisas boas só sobraram as memórias mesmo, porque relatos, pra que né? Ninguém precisa saber que eu tenho coisas boas, só as ruins merecem ser jogadas ao vento para se espalharem por aí.

E enquanto eu venho aqui melindrar e chorar a tristeza do meu peito, tenho que lidar com a indiferença, com o não fazer questão, com o passado com ela exposto da forma mais linda, e o passado comigo inundado de rancor e desprezo.

E eu não sei porque ainda me preocupo.
Deve ser a vontade de ser melhor e não conseguir.
Deve ser a frustração de querer ser o que não se pode ser.
Deve ser a inveja velada que eu tenho do amor que não pude ter.

E as lagrimas escorrem sem medo.

quinta-feira, abril 21, 2011

Quando faltam as palavras


Quando faltam as palavras, lágrimas
Quando as lágrimas não são suficientes, música
Quando a música não faz mais sentido, abraços
Quando os abraços já não cabem mais, amigos
Quando os amigos estão distantes, dor
Quando a dor torna-se palpável, mais lágrimas
Lágrimas que cantam, abraçam, confortam como amigas e pesam como a dor.

quarta-feira, abril 20, 2011

Desconectar

Todo meu romantismo banal agora ri da minha cara.
Ele sempre me disse que isso era coisa de gente que ainda não cresceu.
Café na cama, presente de aniversário, flores sem data qualquer, apenas para dizer o que se sabe sem ter que usar palavras.
Um passeio no parque ao sol, ou uma visita ao planetário, para poder ver todas as estrelas ali, bem mais perto do que no infinito do dia a dia.
Ele ri da minha cara porque essas coisas simplesmente não existem na vida de quem não sabe fazer acontecer, que no caso, sou eu mesma.
Em minha mente idealizadora e utópica, a vida era isso: ter a "sorte de um amor tranquilo", como já cantou Cazuza e que escuto agora, freneticamente, desviando da nuvem umida que cobre meus olhos.
E Cazua me enganou quando me convenceu de que era possível ser o pão e a comida de alguém.
Há de se ser também o contraponto, o equilíbrio, a porção racional que mantém os pés no chão.
E meu romantismo banal continua rindo porque eu sempre achei que a racionalidade estragava as coisas. Que a cólera, a chama e a combustão do amor, amor por ele mesmo, daquela forma mais visceral e pura, salvariam a humanidade e transformariam todo lodo em flores.
Essa banalidade infantil que não se desfragmentou com o tempo só me faz ver que eu sempre estive errada. Há cura para a cólera, a combustão pode ser apagada e o amor visceral pode ser suprimido pelo cálculo da conta de luz.
Veja, essa desconexão de idéias pode não fazer mais sentido no momento em que eu concluir esse texto. Mas quero poder ser colérica ao menos nas palavras, que é o que me resta no momento.
Não desenvolvi ainda a habilidade da mudança estratégica e minha bola de neve aumenta de diâmetro a cada minuto que perco concatenando essas idéias.
É preciso ser suficientemente adulta para viver nessa vida.
Eu ainda não saí dos 10 anos.
Prevejo um longo período de confusão mental nos meus próximos 27 anos.

segunda-feira, abril 04, 2011

Cada ponto desses é uma lágrima que derramei.
Cada lágrima que derramei é um pedaço do meu coração que se desfez.
Acordei feliz e dormi despedaçada, desesperada.
Não sei o que vai ser agora.
Onde está o chão debaixo dos meus pés?
Onde estão as ruas dessa cidade?
Onde está minha sanidade?
Tá tudo aí, dentro do teu peito, na tua boca, nos teus olhos, no teu calor.
Sou uma mendiga sem rumo agora.

segunda-feira, março 28, 2011

27

E hoje, ao começar o meu 'desaniversário' eu só queria poder abraçar todos os que eu amo.
Seria o melhor presente de todo o mundo.
Miss you everybody!
I'll be there soon!
;)

sábado, março 05, 2011

Afasia

Pisca os olhos devagar.
As lagrimas escorrem pelo rosto pálido, criando caminhos invisíveis de dor e de lamento.
No peito, o grito sufocado arde.
Na mente, a razão tão clara, tão óbvia, não consegue se explicar.
Sente vontade de correr numa longa e infinita estrada. Até os pés sangrarem. Até a dor tingir de rubro todo o caminho turvo pelo qual esteve.
Sente os lábios costurados. A garganta cortada. As mãos atadas.
Move-se com dificuldade em meio ao lamaçal todo em que está enfiada sua vida.
E cada vez que se move, afunda um pouco mais.
E cada vez que tenta se pronunciar sente dezenas de mãos apertando-lhe o pescoço, na tentativa de impedi-la.
Sente-se cortada ao meio, pelo amor e o desespero.
Confunde-se com o passado. Vê-se girando numa espiral sem fim, como um furacão que leva seu corpo e estraçalha todos os seus ossos.
Enfia-se no fundo de uma caixa para sentir-se protegida. Para sentir-se segura.
Controla o medo do escuro, respira fundo e ali permanece.
Não sabe se é melhor enfrentar sozinha seus medos ou se perder.

quinta-feira, março 03, 2011

"Não é o que eu quero pra mim"

Palavra dita não volta.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Nesse exato momento há alguém em algum lugar rindo das voltas que minha mente dá.
Nesse meu mundo paralelo é como se eu fosse acordar em um pesadelo sem fim, onde todos os fantasmas se uniriam para ver o fim da minha pseudo felicidade.

E eu já sei até os planos que eles têm.

Insanidade rolando solta por aqui.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Ceifador

É tanta dor guardada no peito que a vontade que tenho é de plantar meu coração feito semente, pra ver nascer uma árvore de lágrimas.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Descontrole

É difícil manter a garrafa fechada por muito tempo se você fica chacoalhando aquele líquido fermentado ali dentro. Uma hora estoura.
É difícil abrir a tampa sem que haja uma explosão.

E quando eu vejo essas coisas do passado, esses fantasmas, essa felicidade alheia presa em uma imagem, eternizada, eu me sinto uma garrafa chacoalhando.
Todo aquele sentimento de impotência, aquela raiva descabida, aquela inveja desmedida, aquele ciume infundado. Tudo aquilo chacoalhando, aquecendo, transbordando.

Todo o meu descontrole controlado agora por uma frase: não faz sentido.

003 ~ 365

Tô super atrasada na atualização do blog, mas a atualização do Flickr está em dia.
Aos poucos vou colocando tudo em ordem.

Dia 003
Projeto 365

14/01/2011




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Up side down!
Esse negócio de fazer faxina deixa tudo assim, de pernas pro ar.
Enquanto tudo não estiver bem limpinho, não dá pra colocar as coisas no lugar né?

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Nocaute

Ser forte o tempo todo cansa.
Fingir que é forte e que pode resolver tudo, também cansa.
E tentar ser feliz sendo o que não se é, cansa ainda mais.
Todo mundo precisa mudar. Fato.
Todo mundo tem que se adaptar às regras do jogo.
Mas têm horas que simplesmente não dá.
Você vai mudando, se adaptando, se moldando, e sua corda vai raspando, raspando, raspando e desgasta. Desgasta e rompe.
Não adianta tapar o sol com a peneira.
Não adianta tentar remendar.
Não adianta tentar resolver o que não tem solução.
A corda arrebenta quando se desgasta demais. Esse é o fato. E estoura sempre pro lado mais fraco.
E eu sou o lado mais fraco desse jogo.
E não adianta continuar jogando acreditando cegamente que vai levar até o final e ganhar, quando tudo mostra que o que te espera é uma derrota catastrófica. Que não tem mais como competir. Que não dá mais tempo.

É preciso assumir que há defeitos que não te permitem ter capacidade para atingir aquele objetivo tão almejado.
E ter defeitos não é nenhum demérito inaceitável.
Todo mundo tem defeito.
Todo mundo erra.
A diferença é que uns têm capacidade de corrigir e outros não.

Não se pode querer enxergar de longe tendo 15 graus de miopia. Dá pra usar óculos, lentes de contato, fazer cirurgia. Mas enxergar de longe com a perfeição de quem tem 100% da visão é impossível.
E essa fase da aceitação é a pior de todas.

É difícil aceitar um defeito que não tem correção.
Mas enquanto isso não acontecer, a frustração será sempre uma sombra e a solução nunca virá.
É preciso reconhecer que há defeitos, que eles não tem solução, e que o que não tem solução, solucionado está.

Tem horas que é preciso parar de insistir. De dar murro em ponta de faca.
Tem horas que é preciso jogar a toalha.

Desistir também faz parte.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

The Day After

Existe em mim uma confusão que me atormenta e faz minha cabeça girar mais rápido do que meus olhos conseguem acompanhar.
É como estar numa ressaca eterna.
As coisas não param em seus devidos lugares.
Tudo é disforme, turvo e fora do alcance das mãos.

E quando eu penso que numa dessas, as coisas podem voltar ao normal, ou quem sabe se estabilizar, eu vou lá e tomo outra dose da minha cachaça de insanidade e vomito tudo outra vez.
Depois peço desculpas e saio limpando, desesperada, toda a sujeira que acabei de fazer.

O curioso é que começo tão confiante de que dessa vez não vai dar errado, de que dessa vez eu estou sendo coerente.
Eu até me controlo, falo baixo, respiro e fico um tempo considerável sem derramar uma lágrima sequer.

Mas daí, num piscar de olhos, já está tudo errado outra vez.
Eu já sou burra, eu já falo merda, já sou estúpida, incoerente, incapaz.

Eu queria conseguir entender o que acontece nesse segundo entre fechar e abrir os olhos.
Como tudo pode mudar tão rápido sem que eu perceba?
Onde, céus, onde está o erro?

Qual é a maldita palavra de ordem dessa desordem?

002 ~ 365

Dia 002
Projeto 365
13/01/2011



Hoje foi o dia da faxina.
Não só em casa, mas em mim mesma.
Dia de limpar os pensamentos e as idéias.
De varrer pra fora de mim uma parte da sujeira que ficou acumulada debaixo do tapete.
Quando um lugar fica muito tempo fechado, é notável que o período de limpeza e organização dure mais do que o normal.
E eu não estou esperando que isso vá acabar amanhã.
Ao contrário.
Creio que será um período longo.
Porque sujeira sempre volta, e se descuidar, acumula.
E sei que vou limpar, e limpar, e limpar de novo, e de novo, até as coisas ficarem mais claras, transparentes.
O fato é que não posso mais abandonar meus pensamentos, não posso mais deixá-los de lado, criando pó, acumulando sujeira.
É hora de reaproveitá-los, de reciclar as idéias, de dar utilidade ao que ficou parado e de descartar o que já não serve mais.

E mais pra frente eu vejo como farei pra manter esse ambiente - que hoje ainda está sujo, mal cuidado, sem vida - limpo, arejado, alegre e cheio cor.

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Ainda não consegui encontrar uma boa maneira de falar sobre o procvesso criativo das imagens.
Pensei em vários modelos, mas não encontrei nenhum interessante o suficiente.
De qualquer maneira, o que valeu pra mim, nesse dia, foi o fato de fazer as coisas com calma; de pensar, de raciocinar, de limpar as idéias. De jogar coisas fora - ou de tentar pelo menos.
Já criei uma pilha de coisas para jogar fora.
Agora falta criar coragem para me desfazer delas.
Não será fácil me desligar daquelas idéias e pensamento que me acompanharam e que, de certa forma, ajudaram a me trazer até aqui, aos trancos e barrancos, e fizeram parte da minha personalidade.

O fato é que essas idéias já cumpriram sua função, e está na hora de dizer adeus.
Agora é encher os pulmões de ar, e ir.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Trezentos e sessenta e cinco

De casa pro trabalho, do trabalho pra casa.
No trabalho, engolida pela rotina; em casa, engolida e regurgitada pela rotina.
Decidi então por uma vírgula entre esse engolida e regurgitada e utilizar essa pausa pra fazer algo que me traga algum prazer.
Está mais do que na hora de colocar algum propósito nessa minha vida medíocre.
Mesmo que o propósito assim, a olho nu, seja de certa forma medíocre também.
De qualquer maneira vai ser uma terapia. Uma válvula de escape, uma forma de olhar pra mim mesma, de me descobrir, me redescobrir.
E mais do que uma terapia, vai ser um compromisso comigo. De levar algo até o final. De concluir um projeto, de tirar um tempo para criar, para construir e descontruir conceitos, para estudar, ME estudar, de ser egoísta, egocêntrica, umbiguista. De ser minha prioridade.

É isso: mais do que qualquer outra coisa, essa virgula vai ser o momento onde eu serei a minha prioridade. Já tá na hora, nem que seja por minutos.

Hoje eu (re)comecei meu Projeto 365, onde farei uma foto minha por dia, durante 365 dias.

Virei aqui todos os dias, como complemento do meu projeto fotográfico, para relatar o processo criativo, de composição, edição e para tentar transformar alguns sentimentos em palavras.

Quem sabe assim eu consiga atualizar esse blog e transformá-lo em um espaço interessante, não é?

;)
Dia 001
Projeto 365

12/01/2010



Eu já tentei levar esse projeto até o final em 2008 mas não consegui. Cheguei até o dia cento e alguma coisa, mas acabei desistindo.

Depois de um tempo percebi que esse projeto era uma ótima forma de descobrir coisas novas a meu respeito. Boas e ruins, claro. Todo mundo tem dois lados nessa vida.

O fato é que resolvi voltar a assumir esse compromisso comigo mesma. Muito mais do que um compromisso, um desafio diário de dentar me descobrir, redescobrir, de me auto-avaliar, e de dar a cara a tapa também. Tanto no quesito "conceito" da imagem e qualidade técnica [afinal sou fotógrafa e vou aproveitar esse espaço pra voltar a fazer o que mais amo nessa vida], quanto no quesito "existência" [quem eu sou, minha personalidade, meus pensamentos, afinal, ninguém é obrigado a concordar comigo].

Meu objetivo com esse trabalho é encontrar a verdadeira forma desse rosto aí. É conseguir, ao final de um ano todo, visualizar a minha própria face, da forma como ela é. Sem mascaras, sem distorções, sem alterações. Simples e fiel ao que realmente sou. Aliás, quem será que eu realmente sou?