terça-feira, abril 23, 2013

Tangível

Dentro do peito é só o que consegue sentir.
Tem tudo o que se espera, mas a lacuna é maior.
Nada preenche, nem Deus.
Se imagina como uma alma aprisionada num corpo oco.
O vazio é, de todos os sentimentos, o mais concreto.






terça-feira, abril 16, 2013

Crônica

Aquela dor que nunca sai de você.
Que tá sempre ali, pulsando.
Tem dias que dói mais, outros menos, mas nunca acaba.
Como disse um dia Zeca Baleiro: dor não cura com penicilina.
E mais: "tanto amor em mim como um quebranto. Tanto amor em mim, em ti nem tanto".
Êta vida.


quarta-feira, abril 03, 2013

Enciclopédia

Acho que desaprendi a amar.
Ou talvez nunca tenha aprendido.

Lixeira

Resolvi ler alguns e-mails antigos hoje. Sei lá, tem coisas que são boas de lembrar.
Daí que num determinado momento encontrei dezenas, centenas eu diria, de e-mails enviados a um ex-namorado. Conteúdo: minha AGENDA DO DIA.
Tipo, eu mandava meus horários pro cara: "das 14h às 15h - aula de tal coisa. das 17h às 18h consulta com ortopedista. Vou fazer o exame no laboratório tal. O endereço é esse. Tô indo dormir. Acordei. A outra professora trocou o horário dela comigo, antes eu daria aula às 14h agora só entro às 16h."
Ele tinha o controle de cada passo que eu dava!
Será que esse era o conceito que eu tinha de namoro a distância?
MEU DEUS, como foi que eu deixei isso acontecer comigo?
Tô em choque.

terça-feira, abril 02, 2013

Se fosse possível vomitar as coisas que sinto acho que sofreria de bulimia.

quarta-feira, março 27, 2013

29

Tanta coisa pra dizer pra mim mesma hoje.
Tão, mas tão difícil olhar pra esse meu último ano.
Mas o que importa é que passou, que no geral foi bom e que muitas coisas aconteceram para que eu me tornasse uma pessoa melhor.
Uma pena não poder ter por perto todas as pessoas que eu gostaria.
Uma pena algumas pessoas não terem lembrado de mim hoje.
Mas acontece. Uma hora deixamos de fazer parte da vida das pessoas, assim como elas tb deixam de fazer parte da nossa vida.

Um brinde aos meus 29 anos.
Obrigada a todos os envolvidos nesse último ano.

Uma declaração de amor pra mim mesma, no video abaixo.




terça-feira, março 12, 2013

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Gostaria de saber a quem estou enganando.
Quem, afinal, se convence de que estou curada? De que estou bem e esplendorosamente feliz, se qualquer pessoa que parar por 2 minutos pra olhar nos meus olhos vai enxergar as lágrimas que choro pra dentro? 
Que dor é essa que insiste em aparecer de tempos em tempos? Que saudade é essa que dilacera o peito?
Tenho tudo e ao mesmo tempo nada.
A barriga está cheia e mesmo assim ronca.
Durmo 24hrs e continuo acordada.
Corro por quilômetros sem sair do lugar.
Os anos passam e eu continuo olhando a mesma folha do calendário.
E no fim das contas estou aqui achando que as coisas mudaram e, na verdade, continuam exatamente como eram.


segunda-feira, março 11, 2013

Punk

Já digitei aqui umas 15 linhas diferentes e apaguei todas elas. 
Pelo visto tô querendo dizer alguma coisa e não sei o que é. 
Várias palavras passaram correndo pela minha consciência, mas a única que ficou foi a saudade.
Acho que ando sentido falta de coisas que não vivi ainda. Ou de coisas que nunca vou viver, que gostaria de ter vivido.
Será que é culpa do Ramones?


terça-feira, fevereiro 26, 2013

Buraco

Aquele momento estranho em que você queria dizer mil coisas e a única coisa que sai é um longo e melancólico suspiro.

domingo, janeiro 27, 2013

Escrevi e apaguei um e-mail algumas vezes nessa madrugada.
Na dúvida entre mandar ou não, é melhor manter-se anônima.
Tem certas coisas que é melhor ficar apenas na memória e no coração.


;~)


quarta-feira, janeiro 23, 2013

E se?

Já era tarde da noite. Beatriz entrou meio esbaforida num café de esquina e pediu um café grande, com um pouco de conhaque. Esfregava as mãos umas na outras, ora por frio, ora por nervoso.
Enfiou uma das mãos dentro do casaco preto e tirou do bolso o celular que piscava. Pedro enviara uma mensagem avisando que se atrasaria.
"Que ironia, heim?", pensou um pouco alto demais, fazendo com que o senhor da mesa ao lado a encarasse. Pedro nunca se atrasava pra nada. Nada mesmo.
Foram só alguns minutos até ele entrar pela porta, meio atrapalhado, tirando as luvas e passando a mão na barba. Não a reconheceu de imediato. Estava bem mais magra, quase tão magra quanto no dia em que se conheceram e a cor dos cabelos estava mais clara.
Se abraçaram demoradamente e Bia pode sentir que ele realmente estava feliz em revê-la.
Olhou pra ele meio sem graça e, com um sorriso besta no canto da boca disse:
"- Oi pra você também!"
Eles riram e se sentaram. Ficaram alguns minutos quietos, apenas olhando um pro outro, meio constrangidos, meio eufóricos.
O café chegou, quebrando um pouco a tensão, mas não adiantou muito. Completamente sem pensar ela abre a boca e diz:
"- E se tivesse dado certo, heim?"
Ele arregalou os olhos, sem ação: "Não sei, Bia, não sei mesmo".
"- Eu falo sério, Pedro. E se tivesse dado certo?"
"- Não sei te responder. Provavelmente já teríamos mudado daquele apartamento minúsculo. Você já ganharia de mim no videogame, eu não teria aprendido a cozinhar, mas ficaria olhando pra você ali, cozinhando, como sempre. Já teríamos feito outras viagens internacionais e seriam sempre as nossas primeiras viagens para qualquer lugar", disse ele, reticente.
"- Teríamos casado?"
"- Não, isso com certeza não. Só entendi esse lance de casamento depois que nos separamos. Naquela época eu batia o pé. Esquece o casamento."
"- É...tem coisas que a gente só entende depois do SE, né?", ela coçou os olhos pra disfarçar a frustração.
"- É. E se tivesse dado certo, heim Bia?"
"- Pois é, não sei. Acho que você já estaria pintando melhor que eu. Você era bom nisso. Quem sabe eu tivesse aprendido a ser mais calma, controlada, sei lá. Não, não, isso eu já aprendi. Isso veio com o fim mesmo. Se tivesse dado certo acho que eu ainda seria do mesmo jeito."
"- Será?"
"- Olha Pedro, sinceramente, não sei. O que eu sei é que se tivesse dado certo nós seriamos felizes. A forma com que essa felicidade seria executada não tem como prever né?"
"- É, você tem razão. Mas sabe? Eu sou feliz hoje também. Tenho outra pessoa, uma mulher incrível, que me faz bem, com quem eu pretendo fazer meu futuro."
"- Vocês vão se casar?"
"- Não sei, Bia, não sei mesmo."
"- É, não sei já é melhor do que 'com certeza não'..."
"- Nos seus termos sim. Nos dela, acho que não. Enfim..."
Fizeram uma longa pausa. Não contaram os minutos, ou horas, mas ficaram um tempo considerável em seus celulares tentando se distrair.
"- Eu tô feliz também, sabe Pedro? De verdade. Finalmente encontrei alguém que me aceita. Não me cobra, me acompanha em tudo. E é pintor também, o que facilita muito as coisas, sabe?"
"- É...você já tinha me falado esses tempos atrás. Fico feliz que você esteja feliz."
"- Eu sei que fica. Obrigada por isso."
"- Bom, acho que preciso ir. Tenho um compromisso agora. Disse ele já se levantando."
"- É eu também preciso ir. Mas que bom te ver. Estava com saudade."
"- Também tava."
Não sabiam se se abraçavam ou simplesmente apertavam as mãos e iam embora e optaram pela segunda opção.
Ainda na porta ela o avistou do outro lado da rua, a esperando.
"Que foi?", gritou ela. Ele, entrando em um taxi, gritou de volta: "você sempre vai ser a realização dos meus sonhos. A lembrança e a certeza de que a vida pode ser mágica".
Hoje, ambos são apenas lembranças bonitas, quentes e tranquilas na mente um do outro.


terça-feira, dezembro 04, 2012

Block


"Eu tenho um grito entalado na garganta."
Foi isso que escrevi aqui no blog no dia 25/01/11 e, obviamente, não publiquei.
Que bom saber que fiz as escolhas certas.
Como é bom saber que excluí as pessoas certas da minha vida.

segunda-feira, novembro 26, 2012

À esquizofrenia, com amor

Ouço o mesmo disco tem algumas semanas.
Já decorei todas as músicas e quase todos os acordes.
Tenho colocado as canções como trilha dum filme que estou criando em minha cabeça, com cenas que nunca aconteceram - e possivelmente não acontecerão - onde vivo numa cidade que não conheço, com pessoas que nunca vi.
Mas o frio na barriga que sinto quando olho nos olhos dele é tão real que, às vezes, queria não acordar dessa fantasia, só pra sentir esse ardor no peito outra vez.
Tem vezes que a ilusão é o resgate de uma realidade dolorosa e solitária.
O dia hoje está cinza, como meu coração e meus sentimentos.
Anseio por um verão ensolarado, onde a brisa que toca meus cabelos seja semelhante ao toque quente das tuas mãos no meu rosto.
O triste é saber que dedico esse texto a algo sem forma nem existência.
Que tristeza viver e não estar viva.

terça-feira, outubro 02, 2012

Chiclete de Coração

A vida está passando.
E quando eu digo passando, não me refiro exatamente ao tempo ou aos dias e sim, ao fato de que as coisas têm acontecido, pessoas têm partido e tantas outras têm ficado, as vezes, completamente sem sentido de existir em outras vidas.
As vidas estão passando e os corações cada vez mais despedaçados, cheios de outros pedaços grudados de corações partidos que ficaram lá atrás, numa história distante.
E como são reconfortantes esses pedaços de coração né? Nenhum deles foi teu de verdade, mas tapam os buracos, os rombos no peito que aquele coração deixou.

E daí as lembranças invadem a mente e escorrem pelos olhos. Como é bom lembrar o passado, reviver aquele abraço apertado ou aquele beijo que só existiu dentro da cebeça fantasiosa.

Ao que parece, essa nostalgia precede um dos momentos mais doloridos pelos quais já passei, que é aquela faxina das boas no coração. É como tirar vários pedaços de chiclete grudados debaixo do banco. Você vem com uma espátula e, um a um, cuidadosamente vai tirando chiclete por chiclete, coraçâo por coração debaixo do banco. Uns saem fácil, outros arrancam uma lasca de tinta e a levam embora. O banco nunca mais será o mesmo.

Estou na fase de arrancar corações-chiclete que ficaram grudados no meu banco. Eles ocupam espaço, são desconfortáveis e sem nenhuma utilidade.

Hoje arranquei um chicletão daqui. Achei que ele fosse morrer comigo, mas não. Demorou pra sair e levou com ele uma lasca gigante do meu coração. Sei que agora meu coração-banco não será mais o mesmo. Inclusive acho que, muito provavelmente, nenhum outro chiclete será mais grudado por aqui.

Mas as lembranças ficarão. Todas elas servem pra me mostrar o quão feliz eu sou hoje, e o quanto meu coração está leve, prontinho pra uma reforma daquelas pra receber, quem sabe, um novo amor.

quinta-feira, agosto 16, 2012

éle ê éle é

Eu poderia fazer uma lista considerável das pessoas que já passaram pela minha vida.
Fui sim uma mulher de muitos 'amores' e afirmo sem medo ou vergonha que já me apaixonei demais e que me permitirei apaixonar quantas vezes forem necessárias.
Mas de todas as minhas paixões você foi o único amor que só me deixou boas lembranças.
O único de sotaque inconfundível, do sorriso mais escancarado, da intimidade assustadora.
Você foi meu maior sonho e pra quem eu escrevi os textos mais emocionados.
Lembro-me como se fosse hoje da primeira vez que ouvi tua voz me dizendo "eu te amo". Eu ri e chorei meio descontrolada ao outro lado do telefone. No outro dia teu pai já dizia que eu seria tua mulher.
Conheci tua família, teus amigos e você estava presente em todos os segundos dos meus dias.
Quando você foi pra longe eu só queria que a distância entre nós fosse de três quadras e não três mil quilômetros e jamais imaginaria que esses três mil quilômetros virariam três milhões; que seu coração se perderia do meu.
Hoje estamos mais perto do que nunca estivemos antes e ao mesmo tempo separados por uma distância infinita protegida por duas muralhas idênticas.
E eu fui para vários cantos e continuo aqui, guardando as lembranças da nossa última conversa: você dizendo que me amaria até o último dos seus dias, independente desse país das maravilhas.
E pensar que eu nunca te toquei.
E pensar que meu coração é mais teu hoje do que jamais foi de ninguém.

quarta-feira, julho 18, 2012

FAQ

Reclamar da vida não é refletir. É ter preguiça de mudar o que está errado e botar a culpa da sua mediocridade nos outros.

segunda-feira, abril 23, 2012

O jeito é por a máscara, sair pra rua e fingir que é feliz.

terça-feira, março 06, 2012

Depois do telefonema eu choro sem fim.
É um lapso, eu sei, mas é um lapso de um telefonema que não deveria ter existido, de uma mensagem que não deveria ter sido enviada e mais ainda, não deveria ter sido respondida.
Quando se ama demais qualquer motivo é motivo de se desesperar, de perder o controle.
Foi hoje assim comigo.
Uma simples mensagem e meia hora depois lá estava eu, pedindo, humilhantemente, por um pouco de companhia, de contato, de atenção.
E por mais que ele diga que não me rejeitou, o sentimento que fica é esse.
Ele disse que titubeou umas 10x, pegou a chave do carro com uma mão e tirou com a outra, boicotando o encontro.
Enquanto eu fico aqui, feito uma otária esperando o interfone tocar, na esperança de que ele seja tão desequilibrado quanto eu e bata à minha porta.
E depois eu reclamo de ter sido feita de idiota.
O amor só é imprudente assim pra você, Fabiana.
Só pra você. Pros outros não.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

That awkward moment when you realize that cry a river won't change the stupid things you have done in your stupid life


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terça-feira, fevereiro 07, 2012

Curva

Aquela falsa surpresa de se decepcionar com alguém.
Porque diabos é tão difícil assumir que a história toda estava fadada ao fracasso?
Qual o problema de peitar o problema e dizer que não tem solução?
Onde está a parte difícil do pensar antes de fazer qualquer escolha?

Hoje, eu mais uma vez me decepcionei com o passado.
E depois tem gente que não entende porque eu faço questão de enterrar tudo.
A mediocridade das pessoas me dá náuseas.
O fingimento também, e ainda mais as máscaras e a mudança de discurso.

Mas é como eu disse esses tempos aí: "a recompensa de tudo isso é o alívio".
Agradeço por não ter mais que passar por esse tipo de constrangimento.
E torço, com toda minha força, pra que o passado entenda que o que ficou lá atrás, naquela curva, não tem a menor chance de me alcançar.

Já passou da hora de ligar o botão do move on e seguir adiante.
#ficadica