segunda-feira, novembro 26, 2012

À esquizofrenia, com amor

Ouço o mesmo disco tem algumas semanas.
Já decorei todas as músicas e quase todos os acordes.
Tenho colocado as canções como trilha dum filme que estou criando em minha cabeça, com cenas que nunca aconteceram - e possivelmente não acontecerão - onde vivo numa cidade que não conheço, com pessoas que nunca vi.
Mas o frio na barriga que sinto quando olho nos olhos dele é tão real que, às vezes, queria não acordar dessa fantasia, só pra sentir esse ardor no peito outra vez.
Tem vezes que a ilusão é o resgate de uma realidade dolorosa e solitária.
O dia hoje está cinza, como meu coração e meus sentimentos.
Anseio por um verão ensolarado, onde a brisa que toca meus cabelos seja semelhante ao toque quente das tuas mãos no meu rosto.
O triste é saber que dedico esse texto a algo sem forma nem existência.
Que tristeza viver e não estar viva.

terça-feira, outubro 02, 2012

Chiclete de Coração

A vida está passando.
E quando eu digo passando, não me refiro exatamente ao tempo ou aos dias e sim, ao fato de que as coisas têm acontecido, pessoas têm partido e tantas outras têm ficado, as vezes, completamente sem sentido de existir em outras vidas.
As vidas estão passando e os corações cada vez mais despedaçados, cheios de outros pedaços grudados de corações partidos que ficaram lá atrás, numa história distante.
E como são reconfortantes esses pedaços de coração né? Nenhum deles foi teu de verdade, mas tapam os buracos, os rombos no peito que aquele coração deixou.

E daí as lembranças invadem a mente e escorrem pelos olhos. Como é bom lembrar o passado, reviver aquele abraço apertado ou aquele beijo que só existiu dentro da cebeça fantasiosa.

Ao que parece, essa nostalgia precede um dos momentos mais doloridos pelos quais já passei, que é aquela faxina das boas no coração. É como tirar vários pedaços de chiclete grudados debaixo do banco. Você vem com uma espátula e, um a um, cuidadosamente vai tirando chiclete por chiclete, coraçâo por coração debaixo do banco. Uns saem fácil, outros arrancam uma lasca de tinta e a levam embora. O banco nunca mais será o mesmo.

Estou na fase de arrancar corações-chiclete que ficaram grudados no meu banco. Eles ocupam espaço, são desconfortáveis e sem nenhuma utilidade.

Hoje arranquei um chicletão daqui. Achei que ele fosse morrer comigo, mas não. Demorou pra sair e levou com ele uma lasca gigante do meu coração. Sei que agora meu coração-banco não será mais o mesmo. Inclusive acho que, muito provavelmente, nenhum outro chiclete será mais grudado por aqui.

Mas as lembranças ficarão. Todas elas servem pra me mostrar o quão feliz eu sou hoje, e o quanto meu coração está leve, prontinho pra uma reforma daquelas pra receber, quem sabe, um novo amor.

quinta-feira, agosto 16, 2012

éle ê éle é

Eu poderia fazer uma lista considerável das pessoas que já passaram pela minha vida.
Fui sim uma mulher de muitos 'amores' e afirmo sem medo ou vergonha que já me apaixonei demais e que me permitirei apaixonar quantas vezes forem necessárias.
Mas de todas as minhas paixões você foi o único amor que só me deixou boas lembranças.
O único de sotaque inconfundível, do sorriso mais escancarado, da intimidade assustadora.
Você foi meu maior sonho e pra quem eu escrevi os textos mais emocionados.
Lembro-me como se fosse hoje da primeira vez que ouvi tua voz me dizendo "eu te amo". Eu ri e chorei meio descontrolada ao outro lado do telefone. No outro dia teu pai já dizia que eu seria tua mulher.
Conheci tua família, teus amigos e você estava presente em todos os segundos dos meus dias.
Quando você foi pra longe eu só queria que a distância entre nós fosse de três quadras e não três mil quilômetros e jamais imaginaria que esses três mil quilômetros virariam três milhões; que seu coração se perderia do meu.
Hoje estamos mais perto do que nunca estivemos antes e ao mesmo tempo separados por uma distância infinita protegida por duas muralhas idênticas.
E eu fui para vários cantos e continuo aqui, guardando as lembranças da nossa última conversa: você dizendo que me amaria até o último dos seus dias, independente desse país das maravilhas.
E pensar que eu nunca te toquei.
E pensar que meu coração é mais teu hoje do que jamais foi de ninguém.

quarta-feira, julho 18, 2012

FAQ

Reclamar da vida não é refletir. É ter preguiça de mudar o que está errado e botar a culpa da sua mediocridade nos outros.

segunda-feira, abril 23, 2012

O jeito é por a máscara, sair pra rua e fingir que é feliz.

terça-feira, março 06, 2012

Depois do telefonema eu choro sem fim.
É um lapso, eu sei, mas é um lapso de um telefonema que não deveria ter existido, de uma mensagem que não deveria ter sido enviada e mais ainda, não deveria ter sido respondida.
Quando se ama demais qualquer motivo é motivo de se desesperar, de perder o controle.
Foi hoje assim comigo.
Uma simples mensagem e meia hora depois lá estava eu, pedindo, humilhantemente, por um pouco de companhia, de contato, de atenção.
E por mais que ele diga que não me rejeitou, o sentimento que fica é esse.
Ele disse que titubeou umas 10x, pegou a chave do carro com uma mão e tirou com a outra, boicotando o encontro.
Enquanto eu fico aqui, feito uma otária esperando o interfone tocar, na esperança de que ele seja tão desequilibrado quanto eu e bata à minha porta.
E depois eu reclamo de ter sido feita de idiota.
O amor só é imprudente assim pra você, Fabiana.
Só pra você. Pros outros não.

terça-feira, fevereiro 28, 2012

That awkward moment when you realize that cry a river won't change the stupid things you have done in your stupid life


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terça-feira, fevereiro 07, 2012

Curva

Aquela falsa surpresa de se decepcionar com alguém.
Porque diabos é tão difícil assumir que a história toda estava fadada ao fracasso?
Qual o problema de peitar o problema e dizer que não tem solução?
Onde está a parte difícil do pensar antes de fazer qualquer escolha?

Hoje, eu mais uma vez me decepcionei com o passado.
E depois tem gente que não entende porque eu faço questão de enterrar tudo.
A mediocridade das pessoas me dá náuseas.
O fingimento também, e ainda mais as máscaras e a mudança de discurso.

Mas é como eu disse esses tempos aí: "a recompensa de tudo isso é o alívio".
Agradeço por não ter mais que passar por esse tipo de constrangimento.
E torço, com toda minha força, pra que o passado entenda que o que ficou lá atrás, naquela curva, não tem a menor chance de me alcançar.

Já passou da hora de ligar o botão do move on e seguir adiante.
#ficadica




segunda-feira, janeiro 30, 2012

Fronteira

"É logo ali", respondeu o senhor de cabelos brancos apontando para uma linha ultrafina pintada no chão.
Ao lado da linha uma placa indicava: Cruzamento perigoso. Fronteira entre os estados de Autopreservação e Tragédia Anunciada.
É, tem coisas que só a maturidade é capaz de mostrar.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Pôr do sol e lavanda

Depois de alguns dias pensando ainda não consegui concluir qual é minha função nesse mundo. Não que eu esteja verdadeiramente preocupada com isso, até porque acho que só vou descobrir, se descobrir, quando estiver em meu leito de morte com meus netos e seus cachorros em volta da minha cama contando alguma piadinha boba pra eu dar risada.

O fato é que hoje, mais do que ontem, por exemplo, consigo detectar alguns papéis que desempenhei ao longo desses meus 27 anos e que não tinha percebido. Alguns deles, confesso, não me orgulho em nada de ter que carregar no meu ‘curriculo de papéis desempenhados’, mas não há outra opção, e o que não tem opção, selecionado está.

O que percebi hoje, mais do que ontem, é que tenho carregado um estigma de “rito de passagem” na vida das pessoas que sempre, invariavelmente, vem carregado de dor. É tanta lamúria atrelada à minha existência que às vezes dói pensar que as lembranças que têm o meu rosto carregam também aquela dor aguda lá no fundo do coração, que por alguns segundos tira o chão debaixo dos pés e dificulta a respiração.

Não sei até que ponto alguém pode achar bom ter esse tipo de lembrança dentro da mente – eu também tenho as minhas trágicas lembranças – mas o fato é que sou isso aí pra um número x de pessoas e sinceramente, não me agrada em nada.

Soa até meio pretensioso de minha parte dizer isso, mas já parti alguns corações. Já destruí sonhos, planos, já pulei fora, desisti, saí correndo no meio da rua, não liguei no dia seguinte e nem nunca mais. Em todas as vezes eu me senti forte e correta o suficiente, e confesso, não me arrependo e faria tudo outra vez. Não pela maldade da ação, porque não há prazer nenhum em fazer alguém sofrer, mas pela certeza de estar tomando a decisão mais adequada pra mim naquele momento; ou seja, eu já fui muito egoísta.

Mas daí eu reclamo, choramingo e praguejo contra aqueles que fizeram o mesmo comigo. Me questiono sobre o porquê de aquele menino que eu tanto amei logo depois que saí da faculdade ter me abandonado pelo telefone, daquela forma que eu julgava tão cruel. Ou o outro, que fez de um tudo e que disse que queria ir comigo pra Babylon do Zeca Baleiro e do nada sumiu, aparecendo hoje com uma família linda, cheia de filhos. E o primeiro de todos? Que simplesmente me trocou por uma menina mais velha - e mais magra, tenho que admitir? Eu achei aquilo o cúmulo da falta de hombridade. Sem contar aquele que morava longe, e que no dia de natal me disse que na verdade amava a ex-namorada e que estava comigo só pra testar o que sentia por ela. E ainda tem outros, que eu prefiro não comentar e não relembrar por enquanto, porque ainda dói.

Não que eu não tenha superado todos esses desamores. Ao contrário, mas me questiono sim, a razão de tudo isso. O que será que eu tinha de tão ruim? Por que não continuar comigo? Soa como uma não superação né? É, eu sei, mas acredite, não é nada disso. É uma questão de auto-aceitação.

E depois eu penso que eu também já troquei um namorado por outro - ele não era mais magro nem nada, era mais velho, apenas isso. Já desfiz um noivado há poucos meses do casamento, com as coisas quase 100% acertadas. Já perdi o interesse por outro, pelo simples fato de que ele não tinha nada pra conversar comigo. Não tinha a menor graça. Troquei um outro pelo trabalho e pelo sonho de ter uma família que, na época, ele com 20 anos e eu com 24, não teria a menor condição de acontecer. Já desisti de um garoto que tinha tudo pra ter dado certo, pela pura preguiça e insegurança de peitar os outros que eram contra, ou seja lá o que tivesse sido aquilo na época.

E hoje, engraçado, todos eles estão muito melhores do que eu. Veja que ironia. Meu ex-noivo está casado e feliz da vida; o outro, de loge, continua com aquela namorada em questão, o mais novo tá por aí, sambando na cara da sociedade com todo o sucesso que ele tem no trabalho. Muito, muito irônico eu tê-lo trocado pelo trabalho e hoje ele estar aí, famoso.

E eles só estão assim hoje, porque em algum momento da vida eu estufei o peito e coloquei pra fora minhas razões, virando as costas e deixando toda a história ali, na mão deles, dizendo que eles poderiam fazer o que bem entendessem daquilo tudo porque aquilo pouco me importava mais. O fato é que sei que esse virar as costas trouxe junto a minha cara eternizada em dor e sufocamento. Na minha experiência mais recente a dor e o sufocamento são mútuos, mas ainda existe, de uma forma ou de outra, a lembrança da minha cara e automaticamente, aquela pontada aguda no coração.

O pior dessa constatação toda é o meu egoísmo falando mais alto, porque eu queria ser uma lembrança agradável, branda, com aquele cheiro de lavanda e com cor de pôr-do-sol, sabe? É pretensão da minha parte querer ser lembrada pelas coisas boas, até porque, é muito mais fácil gravar a dor à excitação e falo isso pela minha própria experiência. Mas eu realmente queria ser aquela face que é lembrada com ternura e carinho. Eu não devo ter feito nada por merecer isso, óbvio, assim como as faces que carrego comigo também não o fizeram, mas eu sou egoísta e um pouco prepotente eu acho. É feio, eu sei, mas pelo menos eu admito.

E todos esses questionamentos e exposições, apenas para perguntar: e agora, como lidar com as lembranças? As minhas, as deles?

quinta-feira, dezembro 08, 2011

O gato, o rato e o amor

Ando quebrando a cabeça a respeito da origem da vida, do universo e tudo mais e infelizmente o 42 ainda não me soa uma resposta aceitável.
Na verdade os caminhos que me levariam ao 42 é que estão meio bagunçados, acho que foi isso o que tentei dizer.
Quase não dá pra perceber o quanto eu ando confusa né? E ultimamente algumas pessoas têm me perguntado muito sobre o que vem acontecendo, já que minha cara não me ajuda a tentar disfarçar esse emaranhado de coisas daqui de dentro da cabeça.

E não é só minha cara que tem refletido essa algazarra: se alguém entrar hoje na minha casa definitivamente terá uma sincope nervosa. Minha mãe se descabelaria e bradaria ao sete ventos que não criou uma filha pra viver numa casa tão bagunçada.

Mas confesso que o que me fez perceber que a coisa não anda muito bem aqui dentro da cabeça, por mais ridículo que pareça, foi uma propaganda de supermercado.
Fui ao cinema hoje e chorei assistindo a propaganda do menino que mora no exterior e não poderia vir ao Brasil para passar o natal com a família. Os amigos gringos fizeram uma vaquinha e lhe compraram as passagens, e ele voou para os braços de mamãe. Foi lindo, comovente e constrangedor, uma vez que as luzes da sala ainda estavam acesas e várias pessoas estavam sentadas próximas a mim. Eu estava sozinha, poderia fingir que não conhecia ninguém. É, na verdade eu não conhecia mesmo, não precisei fingir.

Mas enfim, fui ao cinema disposta a assistir "La Piel que Habito" e para minha surpresa o filme já havia saído de cartaz. Fiquei bem desapontada; queria chegar no trabalho no dia seguinte e comentar com uma amiga sobre o roteiro, a fotografia e atuação do Banderas.

Fiquei em dúvida entre os Muppets e O Palhaço, e optei pelo segundo. "Vamos prestigiar o cinema nacional, que anda precisando", pensei. Quando o filme começou me toquei que, muito provavelmente, o que me levou a escolher esse filme não foi o prestigio pelo cinema nacional e sim alguns fatos recentes e desconexos que andaram confundindo um pouco mais minha cabeça.

E que escolha feliz foi essa minha. Nunca agradeci tanto minha confusão mental quanto hoje. Não só pelo lindo trabalho do Selton Mello como ator/diretor/roteirista, nem pelo Paulo José, que amo de paixão, nem pela fotografia linda, terna e nostálgica. Mas por uma frase solta, ali no meio da história, que fez com que tudo terminasse bem e todos fossem felizes para sempre.

"O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço"

Coisa linda de deus! Banal, pode dizer, mas lindo, profundo, apocalíptico eu diria.

Sai do filme pensando nisso. Na relação do gato, do rato, dos seus "destinos", do que são programados a fazer, condicionados a fazer, adestrados a fazer, estereotipados a fazer e do que realmente gostam de fazer.
Demorei um tempo até entender como seria a minha frase.

Eu poderia substituir "palhaço" por "produtora", "jornalista", "fotógrafa", "professora", mas nenhuma dessas palavras deixaria a frase 100% aplicável a mim.

E depois de repensar a vida, como nessas coisas de filme mesmo, conclui eu deveria substituir "e eu sou palhaço por "e eu amo".

Piegas, brega, coloque o adjetivo que quiser. Mas essa é minha relação com o destino, com o que está programado, com o que estou condicionada, adestrada, estereotipada a fazer. É o que me descreve, o que me molda; é o que me trouxe até aqui.
Se hoje estou na minha casa, numa cidade alucinada, longe da minha família, dos meus amigos, foi porque amei. Amei um sonho, amei uma mentira, amei um desejo de liberdade e de independência. E continuo amando; minha liberdade, minhas oportunidades, o que está por vir.

Fiquei menos confusa quando descobri minha frase. Acho que isso diz muito sobre os caminhos que vou trilhar até chegar ao meu 42.

"O gato bebe leite, o rato come queijo e eu amo".

quinta-feira, novembro 03, 2011

Saara

O telefone toca sem parar.
Coço os olhos, pisco algumas vezes e tento ignorar, mas não consigo.
Um amigo de longa data escreve, inconsolável, sobre o último pé na bunda que tomou.
Reclama de ter passado dos 30 anos, agindo como se fosse um adolescente: "logo eu? indo atrás de uma paixãozinha?"
Ele não deveria reclamar disso; não deveria mesmo.
Antes sofrer como adolescente e sentir alguma coisa, do que tornar-se árida como me tornei.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Bala Soft


Estou naquele momento crítico das palavras entaladas.
Como um gato que se prepara para cuspir uma bola de pêlos.
É tão aflitivo não conseguir dizer o que gostaria que às vezes me sinto engasgada com uma bala soft. Sem saber se faço força pra engolir ou se me debato até por pra fora aquela coisa que está ali parada.

terça-feira, setembro 13, 2011

The Best of Me

A satisfação de descobrir debaixo dos entulhos todas aquelas coisas boas que existiam em mim é indescritível.
Depois de todo esse tempo eu finalmente me sinto leve: eu fiz SIM coisas boas na minha vida. Eu tenho SIM do que me orgulhar até hoje.
E sou SIM uma boa pessoa. Não perfeita, mas suficientemente boa pra mim. Eu aprendi a viver sozinha, a depender apenas de mim e confesso: chegar em casa, na minha casa, e estar sozinha é não só desafiador, mas prazerosamente aconchegante.

Tenho o peito aberto, escancarado, para as novas descobertas dessa minha vida que estava enterrada, e cada vez que me aprofundo nesse buraco, mais coisa boa eu acho. Tantos planos não aproveitados que podem voltar a ativa, tanto afeto, tanto amor próprio ali soterrado. Há um mundo todo meu para descobrir ali dentro.

O sofrimento todo valeu a pena. Tem valido e continuará valendo. A recompensa de anos de batalha é o alívio.

terça-feira, julho 19, 2011

Inércia

A fome que não vem.
O sono que ainda está.
A vida que não vai.
A paz que já se foi.

terça-feira, julho 12, 2011

Wishlist

- Respirar em paz, sem ter essa dor que me aperta o peito
- Andar de cabeça erguida na rua
- Não sentir vergonha de mim ou dos meus atos
- Ter uma noite de sono tranquila
- Dar fim aos pesadelos
- Não acordar chorando no meio da noite
- Liberdade
- Amor próprio
- Auto-conhecimento
- Aceitação


Ter uma wishlist de coisas não palpáveis é deprimente.

quinta-feira, julho 07, 2011

O Coração não Sente

Fato.
O que os olhos não vêem o coração não sente.
Nunca imaginei que isso fosse ser tão verdadeiro pra mim quanto nos últimos dias.
Eu sei do passado. Sei de muita coisa que aconteceu. Sei dos anos que foram passados, sei de algumas histórias, experiências; mas ver, é outra coisa.
Ter ali, quase que esfregado na cara os bons momentos de felicidade em casal é quase uma ofensa.
Compartilhar tudo isso então, para todos os amigos em comum verem, é como admitir que essa memória nunca será esquecida, que é o que se leva da vida.
Eu não participo de nada.
Não há minha cara em anda daquilo tudo. Eu sequer sou citata...eu sequer apareço.
E as memórias que ficam são aquelas do passado.
Daquele momento bom que eles viveram sem que eu existisse.
Enquanto eu fico aqui sofrendo por algo que não existe mais, e todo mundo vê o passado como sendo o que se é.
Invisível...é assim que meu coração está se sentindo.
Invisível e despedaçado...

domingo, maio 29, 2011

Soledad

A gente fala de solidão sem realmente saber o que é. O peito dói e a gente diz que é saudade, que é amor, que é fraqueza. Mas a dor da solidão é tão diferente que no momento em que se sente, a certeza é clara como água de nascente. A solidão dói nas entranhas. Nas juntas de todo o corpo, na nuca, na barriga, nas costas, cabeça e coração. Dói nas mãos, que ficam vazias, nos pés que não sabem pra onde ir, nos ombros que não têm mais o peso dos braços debruçados. Dói nos olhos, que vêem em volta uma multidão de rostos desconhecidos, que procura algum tipo de alento e que só vê o vazio. A solidão dói na consciência, de que é preciso ser uma pessoa melhor para que se tenha companhia. Para que seus amigos lembrem de você e façam questão de te ter por perto, mesmo que seja para não fazer nada. A solidão dói na alma. E essa dor não da pra explicar. Parece um buraco negro que te suga as forças, parece pesadelo sem fim. E é bem nessa hora que a dor entra no ciclo mais cruel de todos: a hora em que se precisa de um abraço sincero, de um afago, de um carinho, e não se tem ninguém. Não falo aqui de amores exclusivamente, falo de amigos, de família. É um ciclo muito, muito cruel, porque é na tristeza que se sabe realmente quando se está sozinho. É olhar para o lado e ver quantas pessoas lembraram de você hoje, quantas pessoas fizeram questão de ter sua companhia, quantas pessoas quiseram estar ao seu lado pelo simples prazer de estar. É a hora que se sabe entender a dor da solidão: é estar sozinho de verdade, na escuridão do coração.

domingo, maio 22, 2011

Pra terminar ele diz:

"Você só me decepcionou, desde o começo. Ela não, ela mereceu que eu escrevesse aquelas palavras lindas. Com ela foi tudo diferente. Você acha que você merecia? Se você tem inveja dela, o problema é seu."

Depois de fechar a porta começou a juntar os caquinhos do coração.
E está lá, juntando-os até agora.

terça-feira, maio 17, 2011

Indiferença

De tudo o que dói, a indiferença é a que dói mais.
Mais que chute na canela, cortar a mão com papel, prender o dedo na porta.
Eu esperava alguma reação, um xingamento que fosse, uma frase sofrida dizendo que estava decepcionado, que não tinha mais jeito, mas ao contrário; toda vez que vou lá encontro o vazio estático do mês retrasado.

O curioso é que há algum tempo, o que se via eram relatos que expunham minhas feridas e imperfeições, como se fosse prazeroso ver a deficiência alheia vir a público. E agora nada.

Antigamente, exitia a tentativa de retomar com outrém uma vida harmonica e cheia de paixão, e por essa razão, escrevia-se coisas lindas sobre como ela era perfeita, sobre como a vida com ela era boa e tinha tudo para dar certo. "Foi minha última tentativa", dizia.

Eu não ganhei nada disso. Ao contrário: de coisas boas só sobraram as memórias mesmo, porque relatos, pra que né? Ninguém precisa saber que eu tenho coisas boas, só as ruins merecem ser jogadas ao vento para se espalharem por aí.

E enquanto eu venho aqui melindrar e chorar a tristeza do meu peito, tenho que lidar com a indiferença, com o não fazer questão, com o passado com ela exposto da forma mais linda, e o passado comigo inundado de rancor e desprezo.

E eu não sei porque ainda me preocupo.
Deve ser a vontade de ser melhor e não conseguir.
Deve ser a frustração de querer ser o que não se pode ser.
Deve ser a inveja velada que eu tenho do amor que não pude ter.

E as lagrimas escorrem sem medo.