terça-feira, março 06, 2012
É um lapso, eu sei, mas é um lapso de um telefonema que não deveria ter existido, de uma mensagem que não deveria ter sido enviada e mais ainda, não deveria ter sido respondida.
Quando se ama demais qualquer motivo é motivo de se desesperar, de perder o controle.
Foi hoje assim comigo.
Uma simples mensagem e meia hora depois lá estava eu, pedindo, humilhantemente, por um pouco de companhia, de contato, de atenção.
E por mais que ele diga que não me rejeitou, o sentimento que fica é esse.
Ele disse que titubeou umas 10x, pegou a chave do carro com uma mão e tirou com a outra, boicotando o encontro.
Enquanto eu fico aqui, feito uma otária esperando o interfone tocar, na esperança de que ele seja tão desequilibrado quanto eu e bata à minha porta.
E depois eu reclamo de ter sido feita de idiota.
O amor só é imprudente assim pra você, Fabiana.
Só pra você. Pros outros não.
terça-feira, fevereiro 28, 2012
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Curva
segunda-feira, janeiro 30, 2012
Fronteira
segunda-feira, dezembro 12, 2011
Pôr do sol e lavanda
Depois de alguns dias pensando ainda não consegui concluir qual é minha função nesse mundo. Não que eu esteja verdadeiramente preocupada com isso, até porque acho que só vou descobrir, se descobrir, quando estiver em meu leito de morte com meus netos e seus cachorros em volta da minha cama contando alguma piadinha boba pra eu dar risada.
O fato é que hoje, mais do que ontem, por exemplo, consigo detectar alguns papéis que desempenhei ao longo desses meus 27 anos e que não tinha percebido. Alguns deles, confesso, não me orgulho em nada de ter que carregar no meu ‘curriculo de papéis desempenhados’, mas não há outra opção, e o que não tem opção, selecionado está.
O que percebi hoje, mais do que ontem, é que tenho carregado um estigma de “rito de passagem” na vida das pessoas que sempre, invariavelmente, vem carregado de dor. É tanta lamúria atrelada à minha existência que às vezes dói pensar que as lembranças que têm o meu rosto carregam também aquela dor aguda lá no fundo do coração, que por alguns segundos tira o chão debaixo dos pés e dificulta a respiração.
Não sei até que ponto alguém pode achar bom ter esse tipo de lembrança dentro da mente – eu também tenho as minhas trágicas lembranças – mas o fato é que sou isso aí pra um número x de pessoas e sinceramente, não me agrada em nada.
Soa até meio pretensioso de minha parte dizer isso, mas já parti alguns corações. Já destruí sonhos, planos, já pulei fora, desisti, saí correndo no meio da rua, não liguei no dia seguinte e nem nunca mais. Em todas as vezes eu me senti forte e correta o suficiente, e confesso, não me arrependo e faria tudo outra vez. Não pela maldade da ação, porque não há prazer nenhum em fazer alguém sofrer, mas pela certeza de estar tomando a decisão mais adequada pra mim naquele momento; ou seja, eu já fui muito egoísta.
Mas daí eu reclamo, choramingo e praguejo contra aqueles que fizeram o mesmo comigo. Me questiono sobre o porquê de aquele menino que eu tanto amei logo depois que saí da faculdade ter me abandonado pelo telefone, daquela forma que eu julgava tão cruel. Ou o outro, que fez de um tudo e que disse que queria ir comigo pra Babylon do Zeca Baleiro e do nada sumiu, aparecendo hoje com uma família linda, cheia de filhos. E o primeiro de todos? Que simplesmente me trocou por uma menina mais velha - e mais magra, tenho que admitir? Eu achei aquilo o cúmulo da falta de hombridade. Sem contar aquele que morava longe, e que no dia de natal me disse que na verdade amava a ex-namorada e que estava comigo só pra testar o que sentia por ela. E ainda tem outros, que eu prefiro não comentar e não relembrar por enquanto, porque ainda dói.
Não que eu não tenha superado todos esses desamores. Ao contrário, mas me questiono sim, a razão de tudo isso. O que será que eu tinha de tão ruim? Por que não continuar comigo? Soa como uma não superação né? É, eu sei, mas acredite, não é nada disso. É uma questão de auto-aceitação.
E depois eu penso que eu também já troquei um namorado por outro - ele não era mais magro nem nada, era mais velho, apenas isso. Já desfiz um noivado há poucos meses do casamento, com as coisas quase 100% acertadas. Já perdi o interesse por outro, pelo simples fato de que ele não tinha nada pra conversar comigo. Não tinha a menor graça. Troquei um outro pelo trabalho e pelo sonho de ter uma família que, na época, ele com 20 anos e eu com 24, não teria a menor condição de acontecer. Já desisti de um garoto que tinha tudo pra ter dado certo, pela pura preguiça e insegurança de peitar os outros que eram contra, ou seja lá o que tivesse sido aquilo na época.
E hoje, engraçado, todos eles estão muito melhores do que eu. Veja que ironia. Meu ex-noivo está casado e feliz da vida; o outro, de loge, continua com aquela namorada em questão, o mais novo tá por aí, sambando na cara da sociedade com todo o sucesso que ele tem no trabalho. Muito, muito irônico eu tê-lo trocado pelo trabalho e hoje ele estar aí, famoso.
E eles só estão assim hoje, porque em algum momento da vida eu estufei o peito e coloquei pra fora minhas razões, virando as costas e deixando toda a história ali, na mão deles, dizendo que eles poderiam fazer o que bem entendessem daquilo tudo porque aquilo pouco me importava mais. O fato é que sei que esse virar as costas trouxe junto a minha cara eternizada em dor e sufocamento. Na minha experiência mais recente a dor e o sufocamento são mútuos, mas ainda existe, de uma forma ou de outra, a lembrança da minha cara e automaticamente, aquela pontada aguda no coração.
O pior dessa constatação toda é o meu egoísmo falando mais alto, porque eu queria ser uma lembrança agradável, branda, com aquele cheiro de lavanda e com cor de pôr-do-sol, sabe? É pretensão da minha parte querer ser lembrada pelas coisas boas, até porque, é muito mais fácil gravar a dor à excitação e falo isso pela minha própria experiência. Mas eu realmente queria ser aquela face que é lembrada com ternura e carinho. Eu não devo ter feito nada por merecer isso, óbvio, assim como as faces que carrego comigo também não o fizeram, mas eu sou egoísta e um pouco prepotente eu acho. É feio, eu sei, mas pelo menos eu admito.
E todos esses questionamentos e exposições, apenas para perguntar: e agora, como lidar com as lembranças? As minhas, as deles?
quinta-feira, dezembro 08, 2011
O gato, o rato e o amor
quinta-feira, novembro 03, 2011
Saara
Coço os olhos, pisco algumas vezes e tento ignorar, mas não consigo.
quarta-feira, outubro 26, 2011
Bala Soft

Estou naquele momento crítico das palavras entaladas.
terça-feira, setembro 13, 2011
The Best of Me
Depois de todo esse tempo eu finalmente me sinto leve: eu fiz SIM coisas boas na minha vida. Eu tenho SIM do que me orgulhar até hoje.
E sou SIM uma boa pessoa. Não perfeita, mas suficientemente boa pra mim. Eu aprendi a viver sozinha, a depender apenas de mim e confesso: chegar em casa, na minha casa, e estar sozinha é não só desafiador, mas prazerosamente aconchegante.
Tenho o peito aberto, escancarado, para as novas descobertas dessa minha vida que estava enterrada, e cada vez que me aprofundo nesse buraco, mais coisa boa eu acho. Tantos planos não aproveitados que podem voltar a ativa, tanto afeto, tanto amor próprio ali soterrado. Há um mundo todo meu para descobrir ali dentro.
O sofrimento todo valeu a pena. Tem valido e continuará valendo. A recompensa de anos de batalha é o alívio.
terça-feira, julho 19, 2011
terça-feira, julho 12, 2011
Wishlist
- Andar de cabeça erguida na rua
- Não sentir vergonha de mim ou dos meus atos
- Ter uma noite de sono tranquila
- Dar fim aos pesadelos
- Não acordar chorando no meio da noite
- Liberdade
- Amor próprio
- Auto-conhecimento
- Aceitação
Ter uma wishlist de coisas não palpáveis é deprimente.
quinta-feira, julho 07, 2011
O Coração não Sente
O que os olhos não vêem o coração não sente.
Nunca imaginei que isso fosse ser tão verdadeiro pra mim quanto nos últimos dias.
Eu sei do passado. Sei de muita coisa que aconteceu. Sei dos anos que foram passados, sei de algumas histórias, experiências; mas ver, é outra coisa.
Ter ali, quase que esfregado na cara os bons momentos de felicidade em casal é quase uma ofensa.
Compartilhar tudo isso então, para todos os amigos em comum verem, é como admitir que essa memória nunca será esquecida, que é o que se leva da vida.
Eu não participo de nada.
Não há minha cara em anda daquilo tudo. Eu sequer sou citata...eu sequer apareço.
E as memórias que ficam são aquelas do passado.
Daquele momento bom que eles viveram sem que eu existisse.
Enquanto eu fico aqui sofrendo por algo que não existe mais, e todo mundo vê o passado como sendo o que se é.
Invisível...é assim que meu coração está se sentindo.
Invisível e despedaçado...
domingo, maio 29, 2011
Soledad
A gente fala de solidão sem realmente saber o que é.
O peito dói e a gente diz que é saudade, que é amor, que é fraqueza.
Mas a dor da solidão é tão diferente que no momento em que se sente, a certeza é clara como água de nascente.
A solidão dói nas entranhas. Nas juntas de todo o corpo, na nuca, na barriga, nas costas, cabeça e coração.
Dói nas mãos, que ficam vazias, nos pés que não sabem pra onde ir, nos ombros que não têm mais o peso dos braços debruçados.
Dói nos olhos, que vêem em volta uma multidão de rostos desconhecidos, que procura algum tipo de alento e que só vê o vazio.
A solidão dói na consciência, de que é preciso ser uma pessoa melhor para que se tenha companhia. Para que seus amigos lembrem de você e façam questão de te ter por perto, mesmo que seja para não fazer nada.
A solidão dói na alma. E essa dor não da pra explicar. Parece um buraco negro que te suga as forças, parece pesadelo sem fim. E é bem nessa hora que a dor entra no ciclo mais cruel de todos: a hora em que se precisa de um abraço sincero, de um afago, de um carinho, e não se tem ninguém. Não falo aqui de amores exclusivamente, falo de amigos, de família. É um ciclo muito, muito cruel, porque é na tristeza que se sabe realmente quando se está sozinho. É olhar para o lado e ver quantas pessoas lembraram de você hoje, quantas pessoas fizeram questão de ter sua companhia, quantas pessoas quiseram estar ao seu lado pelo simples prazer de estar.
É a hora que se sabe entender a dor da solidão: é estar sozinho de verdade, na escuridão do coração.
domingo, maio 22, 2011
"Você só me decepcionou, desde o começo. Ela não, ela mereceu que eu escrevesse aquelas palavras lindas. Com ela foi tudo diferente. Você acha que você merecia? Se você tem inveja dela, o problema é seu."
Depois de fechar a porta começou a juntar os caquinhos do coração.
E está lá, juntando-os até agora.
terça-feira, maio 17, 2011
Indiferença
Mais que chute na canela, cortar a mão com papel, prender o dedo na porta.
Eu esperava alguma reação, um xingamento que fosse, uma frase sofrida dizendo que estava decepcionado, que não tinha mais jeito, mas ao contrário; toda vez que vou lá encontro o vazio estático do mês retrasado.
O curioso é que há algum tempo, o que se via eram relatos que expunham minhas feridas e imperfeições, como se fosse prazeroso ver a deficiência alheia vir a público. E agora nada.
Antigamente, exitia a tentativa de retomar com outrém uma vida harmonica e cheia de paixão, e por essa razão, escrevia-se coisas lindas sobre como ela era perfeita, sobre como a vida com ela era boa e tinha tudo para dar certo. "Foi minha última tentativa", dizia.
Eu não ganhei nada disso. Ao contrário: de coisas boas só sobraram as memórias mesmo, porque relatos, pra que né? Ninguém precisa saber que eu tenho coisas boas, só as ruins merecem ser jogadas ao vento para se espalharem por aí.
E enquanto eu venho aqui melindrar e chorar a tristeza do meu peito, tenho que lidar com a indiferença, com o não fazer questão, com o passado com ela exposto da forma mais linda, e o passado comigo inundado de rancor e desprezo.
E eu não sei porque ainda me preocupo.
Deve ser a vontade de ser melhor e não conseguir.
Deve ser a frustração de querer ser o que não se pode ser.
Deve ser a inveja velada que eu tenho do amor que não pude ter.
E as lagrimas escorrem sem medo.
quinta-feira, abril 21, 2011
Quando faltam as palavras
Quando faltam as palavras, lágrimas
Quando as lágrimas não são suficientes, música
Quando a música não faz mais sentido, abraços
Quando os abraços já não cabem mais, amigos
Quando os amigos estão distantes, dor
Quando a dor torna-se palpável, mais lágrimas
Lágrimas que cantam, abraçam, confortam como amigas e pesam como a dor.
quarta-feira, abril 20, 2011
Desconectar
Ele sempre me disse que isso era coisa de gente que ainda não cresceu.
Café na cama, presente de aniversário, flores sem data qualquer, apenas para dizer o que se sabe sem ter que usar palavras.
Um passeio no parque ao sol, ou uma visita ao planetário, para poder ver todas as estrelas ali, bem mais perto do que no infinito do dia a dia.
Ele ri da minha cara porque essas coisas simplesmente não existem na vida de quem não sabe fazer acontecer, que no caso, sou eu mesma.
Em minha mente idealizadora e utópica, a vida era isso: ter a "sorte de um amor tranquilo", como já cantou Cazuza e que escuto agora, freneticamente, desviando da nuvem umida que cobre meus olhos.
E Cazua me enganou quando me convenceu de que era possível ser o pão e a comida de alguém.
Há de se ser também o contraponto, o equilíbrio, a porção racional que mantém os pés no chão.
E meu romantismo banal continua rindo porque eu sempre achei que a racionalidade estragava as coisas. Que a cólera, a chama e a combustão do amor, amor por ele mesmo, daquela forma mais visceral e pura, salvariam a humanidade e transformariam todo lodo em flores.
Essa banalidade infantil que não se desfragmentou com o tempo só me faz ver que eu sempre estive errada. Há cura para a cólera, a combustão pode ser apagada e o amor visceral pode ser suprimido pelo cálculo da conta de luz.
Veja, essa desconexão de idéias pode não fazer mais sentido no momento em que eu concluir esse texto. Mas quero poder ser colérica ao menos nas palavras, que é o que me resta no momento.
Não desenvolvi ainda a habilidade da mudança estratégica e minha bola de neve aumenta de diâmetro a cada minuto que perco concatenando essas idéias.
É preciso ser suficientemente adulta para viver nessa vida.
Eu ainda não saí dos 10 anos.
Prevejo um longo período de confusão mental nos meus próximos 27 anos.
segunda-feira, abril 04, 2011
Cada ponto desses é uma lágrima que derramei.Cada lágrima que derramei é um pedaço do meu coração que se desfez.
Acordei feliz e dormi despedaçada, desesperada.
Não sei o que vai ser agora.
Onde está o chão debaixo dos meus pés?
Onde estão as ruas dessa cidade?
Onde está minha sanidade?
Tá tudo aí, dentro do teu peito, na tua boca, nos teus olhos, no teu calor.
Sou uma mendiga sem rumo agora.
segunda-feira, março 28, 2011
27
Seria o melhor presente de todo o mundo.
Miss you everybody!
I'll be there soon!
;)
sábado, março 05, 2011
Afasia
As lagrimas escorrem pelo rosto pálido, criando caminhos invisíveis de dor e de lamento.
No peito, o grito sufocado arde.
Na mente, a razão tão clara, tão óbvia, não consegue se explicar.
Sente vontade de correr numa longa e infinita estrada. Até os pés sangrarem. Até a dor tingir de rubro todo o caminho turvo pelo qual esteve.
Sente os lábios costurados. A garganta cortada. As mãos atadas.
Move-se com dificuldade em meio ao lamaçal todo em que está enfiada sua vida.
E cada vez que se move, afunda um pouco mais.
E cada vez que tenta se pronunciar sente dezenas de mãos apertando-lhe o pescoço, na tentativa de impedi-la.
Sente-se cortada ao meio, pelo amor e o desespero.
Confunde-se com o passado. Vê-se girando numa espiral sem fim, como um furacão que leva seu corpo e estraçalha todos os seus ossos.
Enfia-se no fundo de uma caixa para sentir-se protegida. Para sentir-se segura.
Controla o medo do escuro, respira fundo e ali permanece.
Não sabe se é melhor enfrentar sozinha seus medos ou se perder.